Os meteoros de Andalusia…

Caminhava perto de Córdoba na fronteira com Seville. Distraidamente caminhava. Esperava ver algum transeunte ao meu lado mas estava só. Permaneci calado todo o trajeto da casa onde estava até uma região plana e seca. Não sentia frio, mas não era de fato frio. Foi quando percebi um brilho estranho que ofuscava o sol. Não era forte tal brilho, mas me chamou atenção. Foi quando compreendi que três pedras brilhantes caiam do céu. Em chamas cortavam as nuvens indo em direção ao solo. Em instantes explodiram ao longe. Eu, talvez o único expectador de tamanha beleza me assustei no último instante com o estrondo gigantesco. Não tive reação a não ser correr para ver de perto o que era de fato aquilo. Corri muito para me aproximar. Parei algumas vezes para pegar fôlego e chegar vivo ao lugar. Alguns minutos depois estava eu diante de três grandes rochas em chamas. Brilhavam estranhamente por ter incrustada nelas cristais dos mais variados.

Foi assim que senti no peito um medo louco que me fazia querer sair dali. Impulsionava-me mas eu não conseguia. Estava estático. Uma das rochas então rachou lentamente. As partes caiam em meio às labaredas. O brilho de tudo aquilo me ofuscava, mas eu não parava de olhar. E de dentro junto com as chamas que titubeavam vi um olhar. Percebi um alguém ali a se levantar. Primeiro parecia um bebê. Ao colocar um dos pés firmes para se levantar já parecia um garoto. Quando já de pé era um adulto perfeito. Brilhava, e como brilhava. Seus cabelos crescidos balançavam entre o vento e o fogo, mas não se destruíam. Ele deu um passo para frente olhando-me. Nessa ocasião já era mais velho do que eu. Alguns poucos anos. Quando deu o seu segundo passo, bem mais firme que o anterior, ele já demonstrava ter rugas em seu rosto e alguns fios de cabelo já eram brancos. Andou mais um passo levantando a mão para mim como se apontasse algo além de meu corpo. Nesse instante vi seus cabelos caindo aos poucos com o vento. Ele abriu a boca buscando as palavras certas para dizer. Sua pele enrugada da idade já demonstrava tanta sabedoria. Foi assim que ele pronunciou as únicas palavras de sua vida inteira. Vida que transcorreu em segundos. “Eu sou aquele que é… e vim perguntar quem é você…” Antes mesmo que eu o respondesse recuou um passo e olhou para o céu. Dava pra ver o rastro ainda da fumaça. Dava pra ver as nuvens rasgadas ainda no céu. De um lado o azul do dia… nas marcas das nuvens as estrelas da noite… no horizonte o sol indo embora e por perto a lua, minha amiga. “lindo… tudo muito lindo. Você que fez?” Abri a boca pra responder e ele já muito idoso caiu de joelhos e morreu… sendo levado como poeira pelo vento. Dissolvendo-se como se nunca tivesse estado ali. E quando percebi não falei nada pra ele. A palavra que me vinha como resposta estava travada na mente… não queria ser dita… foi assim que lacrimejando voltei a olhar tudo ao redor… e sem querer balbuciei… “é… talvez tenha sido eu… talvez tenha sido… você”.
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