Guerra

Escravos cegos rangem os dentes. Abutres rodeiam o corpo quase sem vida da meretriz milenar. Já nascem cegos, surdos, mudos e aleijados. Já nascem em funerárias. Já nascem sem alma. Se por ventura nascessem com alma à venderiam na primeira pocilga por míseros trocados.

O falso templo apodrece, repleto de vermes, fieis ao bizarro espetáculo. Em louvor ao nada matraqueiam balbuciantes palavras mal decoradas, sem alma... Agoniza o trono usurpado. Treme a terra, o mar devasta, masoquistas macacos se mutilam e se maltratam. Do alto grita o falcão-menino, só que porcos não olham para o alto.

Dionísio desmascara seu falsário, a farsa que ergueu impérios à sua sombra, a mentira sem personalidade.

Gaia cansada desperta de seu sono de passividade. E ela ruge, ela range, ela rosna, ela rasga... E não há hospedeiro que não reaja à colonias de parasitas sem respeito e sem sanidade.

Este é um grito de guerra, um gemido vindo do Abismo do Alto e do Baixo. E ao ouvir o grito, a Senhora Morte prepara seu cavalo de treze faces.

Que se abram a cortinas! É chegada a hora do espetáculo....
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