CAOS

aglomeravam-se em algum ponto tudo e ainda continua. Mas não como afirmam ter sido com o Big Bang. Tudo, como numa sopa atritava-se freneticamente. Faíscas gigantescas arrasavam tudo por onde ocorriam. Os deuses estavam furiosos. Curiosamente esse não é o começo nem o fim do universo já que isso não existe. E estamos olhando o conjunto inteiro como se de fato fosse uma coisa só e não é. Olhando de fora assim até parece que nada faz sentido e a destruição é a única coisa lógica, não é? Já teve essa visão do todo? Uma quantidade enorme de situações e coisas acontecendo todas ao mesmo tempo. Sem razão aparente tudo se consome e se transforma. Luz e escuridão bailam no meio do nada, mas esse nada é só uma forma de compreender que todas essas coisas estão pairando suspensas numa malha fina chamada realidade. E que esse limite desta bolha gigante não existe de fato. Mas ainda continuamos a ver tudo isso como uma coisa só. Entretanto o nosso ponto de vista atual é errado, falso. Não conseguiremos sem auxílio da imaginação colocar-nos de fora dessa sopa, nós somos parte desta sopa e assim sendo o universo é onde tudo se aglomera. Contudo quando chegamos na borda, esta suposta borda se alonga para além de onde enxergamos e assim sempre será, pois o nada é parte do todo e é por isso que é impossível alcançar a borda já que ela não existe. E quando pensamos estar no nada, este nada é somente um pedaço, um pequeno pedaço cheio de coisas a desqualifica-la.

Consegue agora ver esse todo? Meio sem sentido depois de tudo que falei. E por meio da sua vontade você começa a cair nessa coisa imensa e catastrófica. E quanto mais você cai, menor você fica. Cada vez menor e cada vez menos coisas você consegue ver de fato. E quanto mais cai mais significante o tempo vai se tornando. Quanto mais para dentro de tudo, mais o "tic tac" faz sentido em sua mente. Quanto mais você desce, mais os brilhos viram algo sólido. O que era uma explosão gigante agora é feito de milhões de estrelas em movimento com brilhos para todos os lados. Um gigante raio agora é poeira e partículas feitas de pedaços de planetas e energia a estalar por todos os lados. Então você se apercebe se perguntando: Onde tudo isso começou? Entretanto você sabe que nada começou, o todo não começou, o gigante nunca adormeceu, a sopa simplesmente esquentou, mas esfriará e voltará a esquentar. Mas essa perspectiva morreu no momento que compreendemos que o nada não existe e que aquele todo ali aglomerado a nossa frente era uma ilusão simplista demais para fazer de fato sentido. E quando caímos nessa coisa começamos a perceber que esse CAOS sem fim é na verdade extremamente organizado. Quanto menor, mais próximos do seu centro percebemos que o CAOS organiza-se ao extremo. Ele nos liberta da responsabilidade ao observamos o todo como uma coisa só, mas nos dá a culpa na medida da nossa invasão ao centro de tudo. Quanto menores mais organizados e mais cientes de um tempo que não mede nada além da perspectiva de quem observa ou do grupo que observa aquele dado instante. Se formos para fora disso o tempo e forma perdem significado. Quanto mais nos aproximamos de suas partes mais ínfimas, mais íntimas, mais nos prenderemos aos ritmos e a condições do agora, do antes e do depois.

Quando implico que o CAOS é organizado muitos não compreendem. Quando implico que há CAOS na organização até parece fazer mais sentido. Na verdade são as duas faces de uma mesma moeda marcada para girar infinitamente. Enquanto existir energia haverá destruição e mudança. E sabendo que nada se perde ou se consome totalmente percebemos o por que nada disso teve um começo e não terá um fim. Limitamos demais as coisas por causa do que achamos a partir do que vivemos. E sempre será assim até o dia em que pudermos ser maiores e tão ou quase tão "infinitos" quanto. Esse texto é uma tentativa poética de tratar de um assunto, mas isso é perca de tempo. Isso é uma grande ilusão para saciar nossa sede e provavelmente no futuro seremos capazes de invadir outras perspectivas, mas agora o que importa de fato?

O CAOS está além de nossa compreensão, entretanto aqui acredito que consegui expressar essa magnitude. Agora neste instante assumo outra condição deste universo infinito. A de que todas as nossas ideias e compreensões são plausíveis. Todas as realidades se misturam. Essa plasticidade do TODO é de fato muito mais estranho do que pensar que o CAOS é organizado. Entretanto coisas aparentemente antagônicas são reais na medida que estes paradigmas se distanciam. O praticante do caoísmo é por um lado adepto do pensamento de que todas as coisas são reais. Todos os mundos são verdadeiros. O que precisamos é lançar mão do medo de soltar nossas crenças para podermos ser capazes de abarcar isso. Sendo assim tudo isso pode sim ter tido um começo, entretanto a magnitude desta ideia é superada pelo fato de que tendo sido ou não, isso de fato nunca importará verdadeiramente. Um segundo pra o TODO são mil tempos de vida humanos. Insignificância é isso. E pensando assim até faz sentido o TODO ter um começo e fim. Mas convenhamos que diante dessa implicação de tempo, esse começo está tão longe e esse fim também que é o mesmo que dizer que não existem. Claro que há de sermos cautelosos e toda e qualquer afirmação sobre isso soará sempre presunçosa. Prefiro levar dentro de mim a percepção de que nada disso terá fim e se mesmo assim houver, neste derradeiro dia seremos capazes de reiniciar tudo novamente aplicando a máxima de que tudo se submeterá à quem estiver no controle. Tempo demais para não estarmos diante deste controle. Tempo demais para os deuses se perceberem finitos. Tanto tempo que este conceito deixa de fazer sentido se pensarmos no TODO. Se um segundo é tanto assim para esse pequenos que somos, podemos simplesmente ignorar o tempo neste ponto da observação. Ele não existe e portanto o fim não existirá nunca. Pois se num dado quadrante tudo explode, noutro as coisas continuam as mesmas, mesmo que um dia um interfira no outro. E neste lugar, onde agora poderíamos dizer que há nada ali, por contradição, já que nada não existe, esta energia que não se perde revigora-se em outras estruturas menores. Da explosão de uma estrela vemos o nascer de outras constelações. E assim sendo este fim é uma implicação limitada a uma parte específica do objeto avaliado, observado. Houve um fim numa parcela, haverá um começo imediato nesta mesma parcela, já que tudo se transforma, este não perder-se é parte exclusiva do CAOS. A organização quando encontra o caos perde-se para dar forma a outra organização. E assim sendo o CAOS é o ser mais imponente de todas as coisas. Ele é a força motriz que leva deuses à decadência ou à elevação. E por esse mesmo CAOS as coisas não findam-se simplesmente, elas se transformam.
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